Manual de Realização da “Campanha Bicicleta para Futuros Possíveis” nas cidades

ÍNDICE

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APRESENTAÇÃO

  • Este Manual de Realização da ‘’Campanha Bicicleta para Futuros Possíveis” nas Cidades foi elaborado pela UCB – União de Ciclistas do Brasil para orientar a atuação das organizações locais participantes da campanha “Bicicleta para Futuros Possíveis”.
  • Estas orientações, propositalmente sintéticas, estão sujeitas a modificações e aprimoramentos decorrentes da interação com as organizações inscritas, da ampliação do conhecimento a respeito da pandemia e das alterações da mesma no Brasil e no mundo.

COMO REALIZAR A CAMPANHA SEM TORNAR-SE AGENTE DE CONTAMINAÇÃO

  • Inicialmente, reforçamos que a UCB – União de Ciclistas do Brasil está alinhada às instituições nacionais e internacionais que recomendam, neste momento, que todas as pessoas que não estejam realizando atividades consideradas essenciais permaneçam em distanciamento físico e que, em caso de necessidade, utilizem a bicicleta para os deslocamentos, mantendo os devidos cuidados para evitar o contágio a si e a  pessoas próximas (os quais estão relacionados nas recomendações Cuidados ao utilizar a bicicleta como meio de transporte).
  • Portanto, recomendamos que as pessoas participantes da campanha busquem realizar todas as atividades através de mecanismos e meios de comunicação não presenciais e que, em caso de necessidade estrita de encontros presenciais, utilizem a bicicleta como meio de mobilidade e adotem medidas de proteção listadas no texto Cuidados ao utilizar a bicicleta como meio de transporte).

MONTE A EQUIPE E ELABORE UM PLANO DE TRABALHO

  • A primeira ação da campanha é definir se a mesma será desenvolvida apenas por uma organização ou por mais de uma, compondo uma coalizão local. Campanhas multi-institucionais possuem maior força social e podem contar com voluntário/a/s de todas elas, entretanto, podem ser mais morosas para decisões e encaminhamentos. Caso decidam por ampliar a coordenação local, elaborem um mapa institucional local para avaliar quais são mais pertinentes e entrem em contato com as mesmas.
  • A segunda ação da campanha também é interna: definir quais pessoas irão se dedicar à realização da campanha e atribuir os poderes necessários às mesmas. Mesmo que sejam poucas pessoas dedicadas, elas podem e devem consultar o restante dos membros da organização para a tomada de decisões e para requerer a eles auxílio para ações o desenvolvimento das ações.
  • A terceira ação é a montagem de um pequeno Plano de Trabalho, definindo as atividades necessárias e seu encadeamento em um cronograma, e prevendo a divisão de tarefas e os recursos necessários. Embora seja possível realizar a campanha sem recursos financeiros, pode-se cogitar a angariação de recursos para despesas como design ou internet, por exemplo. Para elaborar um Plano de Trabalho simplificado, pode-se adaptar a forma e conteúdo da planilha Modelo de Plano de Trabalho Simplificado.
  • Para todas estas ações, e impactando no Plano de Trabalho, não se esqueçam que esta campanha necessita ser realizada em regime de urgência, para aproveitar os debates sociais em torno da pandemia, para que a bicicleta possa contribuir o quanto antes e para obter maiores chances de que a ciclomobilidade seja um legado positivo desta experiência.No plano de trabalho, não esqueça de tematizar os itens sugeridos neste manual, tais como as propostas para o poder público, comunicação com a imprensa e nas redes sociais e busca de apoios.

ELABORE PROPOSTAS PARA O PODER PÚBLICO

  • Trata-se da ação mais importante da Campanha: o poder público precisa receber propostas em sua mesa, enviadas por organizações da sociedade civil, porque de outro modo dificilmente ele será sensibilizado para investir na ciclomobilidade.
  • Para elaborar suas propostas, pode-se utilizar como base o texto “Modelo de Propostas para o município enfrentar a pandemia com a bicicleta” que foi elaborado pela UCB e está disponível aqui. As propostas podem ser adaptadas ou eliminadas, bem como podem (e até devem) ser criadas novas propostas para atender à realidade local.
  • Utilizando ou não o Modelo da UCB como base, diversos meios podem ser utilizados, isolados ou conjuntamente, para a elaboração das propostas locais, dentre os quais destacam-se:
    • Consulta aberta na internet: criação de formulário online para recolher propostas da sociedade, mediante farta divulgação. A consulta pode ser realizada oferecendo-se um texto base, previamente elaborado pela organização consultante.
    • Debate na própria organização: diálogo, o mais aprofundado possível, entre os membros da/s organização/ões que estão desenvolvendo a campanha. Na impossibilidade de debate presencial, recomenda-se o uso de ferramentas de comunicação na internet (grupos de comunicação, documentos colaborativos, videoconferências).
  • O texto das propostas deve ser claro e sucinto, sendo conveniente que seja precedido de justificativas e contextualização.
  • Elabore propostas que estejam no escopo de mais de uma pasta administrativa (por exemplo, para as Secretarias de Transporte/Mobilidade, Educação, Saúde etc.), criando demandas para cada uma delas e conferindo maior abrangência de políticas públicas.
  • Ao redigir as propostas, esteja atento às competências de cada poder. Ao poder executivo (prefeito, secretaria, autarquias) cabe elaborar e executar programas e políticas públicas relativos a todos os temas sociais (como educação, saúde e infraestrutura). O poder legislativo pode elaborar leis, fiscalizar e enviar recomendações ao poder executivo, mas não pode criar nada que signifique gastos públicos. Para entender melhor, consulte o Manual de Incidência Legislativa: Promovendo a Bicicleta no Poder Legislativo, elaborado pela UCB.
  • Após redigido e aprovado o documento com as propostas, cogite a pertinência de angariar apoios através da subscrição (ou assinatura) por parte de instituições locais, que podem ser buscados mediante contato direto com as instituições de interesse ou mediante consultas abertas, o que pode ser feito através de formulário na internet (como os do Google Drive).

ENTREGUE AS PROPOSTAS PARA O PODER PÚBLICO

  • A maior parte das prefeituras e câmaras de vereadores possuem sistemas eletrônicos de recepção de comunicações, inclusive ouvidorias. É importante enviar as propostas por tais meios (sempre anexadas a um Ofício), pois eles possuem registro de protocolo que permitem, na maior parte dos casos, acompanhamento do trâmite.
  • Entretanto, dada urgência da situação que vivenciamos, é igualmente importante enviar as propostas diretamente para os destinatários de interesse, como o prefeito, os secretários, o presidente da Câmara de Vereadores e seus parlamentares. Para isso, busque os contatos na internet para obter o e-mail dos destinatários, mas é fundamental um contato telefônico para esclarecer a abordagem e certificar-se de que as propostas foram recebidas.
  • Pode ser necessário buscar  influências tanto de pessoas ligadas aos mandatários quanto de instituições que tenham melhor penetração junto aos mesmos.
  • Envie as propostas também para os mandatários das secretarias envolvidas (por exemplo, se houver propostas envolvendo educação ou escolas, envie as propostas também para a Secretaria de Educação) visando que os mesmos repassem a demanda para o chefe do poder executivo (o prefeito).
  • É mais conveniente que as propostas sejam enviadas como um documento próprio (a exemplo do Modelo da UCB) em anexo a um Ofício: um documento próprio é mais claro e objetivo e pode ser divulgado mais facilmente para a imprensa e outros canais; e um Ofício é um documento formal apropriado para trâmites junto a instituições públicas.
  • Para redigir o Ofício, utilize e adapte o Modelo de Ofício elaborado pela UCB. Em caso de necessidade de novas comunicações, redija os Ofícios adicionais com os assuntos pertinentes.

DIVULGUE PARA A IMPRENSA

  • O poder de influência dos veículos de comunicação de massa em geral precisa ser explorado, pois parte do sucesso da campanha depende da capacidade de pautá-la.
  • Para conseguir realizar isso de forma eficiente, entre outras atividades, sugere-se enviar releases para a imprensa informando a entrada de vocês na campanha, qual/quais entidade/s está/ão participando, a entrega das propostas para o poder público, a recepção das propostas pelo poder público – enfim, comunicando todas as etapas e resultados possíveis, para que a imprensa saiba o que está acontecendo e se interesse pelo assunto.
  • Utilize os Modelos de Release elaborados pela UCB, adaptando-os à realidade local. Elabore seus próprios releases para temas não contemplados pelos modelos da UCB.
  • Levante e mantenha banco de dados de contatos com a imprensa, se possível identificando os editores de cada veículo – ver este exemplo.
  • Peça ajuda para outras organizações sociais de sua cidade para levantar contatos com a imprensa e, no caso das organizações maiores, para que elas enviem os releases para sua rede de contatos.

DIVULGUE NAS REDES SOCIAIS

  • As redes sociais se tornaram ferramentas muito importantes na divulgação de trabalhos e atividades, o que não é diferente, para esta campanha.
  • Utilize todas as redes sociais de sua organização (Facebook, Twitter, Instagram, LinkedIn etc.) pois existe certa diferença de perfil dos usuários de cada uma delas.
  • Para ser eficiente, sugere-se publicar nas redes todos os movimentos da campanha: seu início, apoios recebidos, entrega das propostas e sua reação pelo poder público etc.
  • Solicite a outras organizações sociais que compartilhem as publicações da campanha nas suas próprias redes sociais.
  • Use sempre a hashtag #bicicletaparafuturospossíveis nas postagens, bem como as outras hashtags criadas pela sua organização; desta forma, será possível fazer o controle dos resultados nacionais e locais e verificar se há necessidade de melhorar a comunicação.
  • Nas postagens, utilize frases compreensíveis, diretas e chamativas, pois a leitura das mesmas pelos usuários das redes é cada vez mais dinâmica.
  • Para a divulgação nas redes, utilize os Modelos de Artes para as redes sociais elaborados pela UCB. Os modelos são abertos (editáveis) para a inserção da/s logomarca/s local/is e para confecção de textos.

IDENTIFIQUE E BUSQUE APOIOS LOCAIS

  • A campanha terá melhores resultados se obtiver apoio de instituições locais, as quais podem auxiliar de diversas maneiras, como:
    • Apenas cedendo sua logomarca para figurar na página da internet da campanha e, assim, conferindo maior respaldo à campanha;
    • Divulgando a campanha nas redes sociais;
    • Contribuindo com seu departamento de comunicação;
    • Prestando informações ou influenciando os mandatários públicos para receberem as propostas e para se comunicarem com a coordenação da campanha;
    • Inserindo propostas para a ciclomobilidade em suas próprias iniciativas similares de propostas e petições ao poder público.
  • Elabore um mapa de atores simplificado apontando instituições que podem ser benéficas para a campanha, registrando os nomes de responsáveis e suas formas de contato. Envie e-mails personalizados para as instituições mais importantes e mala direta para todas as demais da lista. Para aprofundamento, pode-se consultar o manual Mapa de Atores: o que é e para que serve, elaborado pela Associação Civil Rodas da Paz.
  • Dentre as instituições de interesse, não esqueça de incluir sindicatos de trabalhadores, os quais tem interesse em maior segurança nos deslocamentos dos seus membros, e organizações ecologistas, que são defensoras de medidas de baixo impacto ambiental.
  • Esse processo de conhecimento e busca de apoios auxilia a potencializar a campanha, a difundir a causa da ciclomobilidade e a fortalecer o conjunto da sociedade civil local.

MANTENHA INFORMAÇÕES ATUALIZADAS NA INTERNET

  • É muito importante, para tornar a campanha reconhecida, não apenas informar constantemente a sociedade (os ciclistas, a imprensa, o poder público) mas, se possível, manter seu registro em uma plataforma pública.
  • Caso possua um sítio na internet, crie uma página dedicada à campanha e mantenha-a atualizada com todas as ações e resultados da campanha.
  • Caso não possua, use e abuse das redes sociais (Instagram, Twitter e Facebook), especialmente do Facebook, que possui maiores recursos e é mais acolhedor de textos e álbuns de fotos que podem ser recuperados pelos visitantes.

ATIVIDADES ADICIONAIS PARA DIVERSIFICAR A CAMPANHA

Para aumentar a visibilidade e a repercussão da campanha no seu município e para ampliar as chances de que o poder público acate as propostas apresentadas, caso haja condições de tempo e pessoal, é importante realizar algumas ações complementares.

  • Questionamento do poder público: monitore as ações da prefeitura para verificar se as políticas públicas para a bicicleta não estão sendo negligenciadas neste período. Caso haja dúvidas ou discordâncias, acione o poder público pelos canais oficiais, notadamente pelo serviço de Ouvidoria. Em todos os pedidos de informações, faça referência à Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011), que regula a transparência dos atos públicos. Para maior detalhes sobre a LAI, consulte o texto Como usar a LAI (Lei de Acesso à Informação) em favor da bicicleta no PlanMob, elaborado pela UCB e Bike Anjo para a Campanha Bicicleta nos Planos.
  • Entrevistas com dirigentes públicos: apresente questões de entrevista para o prefeito, secretários e vereadores para colher informações e opiniões dos mesmos, o que poderá embasar publicações para a imprensa e redes sociais e instruir ações a serem tomadas junto aos órgãos públicos.
  • Participação em ações de outras instituições: outras instituições da cidade também podem estar dirigindo propostas e petições ao poder público relativas às suas áreas (meio ambiente, moradia, trabalho etc.) – esteja atento a tais iniciativas e busque inserir as propostas para a ciclomobilidade nas petições destas instituições, pois a ciclomobilidade está envolvida em diversas áreas.
  • Abaixo-assinado: para buscar apoio às propostas entregues ao poder público ou a outras ações, um bom recurso é o abaixo-assinado eletrônico. Para seu sucesso, contudo, é necessário intensa divulgação, sobretudo nas redes sociais. Dentre os serviços de abaixo-assinados gratuitos na internet, destacamos o Change.org, Avaaz, Abaixo-Assinado.Org e Petição Pública.
  • “Lives” ou webinars nas redes sociais: atualmente diversas redes sociais disponibilizam ferramentas para oportunizar esse contato com o público. Convide pessoas da comunidade (especialistas, formadores de opinião, acadêmicos, autoridades etc., tanto locais quanto de outras cidades) para defender a causa, esclarecer e contar experiências sobre assuntos pertinentes, como cidades humanizadas, benefícios da bicicleta e outros que sejam positivos para a campanha. Use o modelo de arte para live/webinar da UCB. Não esqueça de fazer uma boa divulgação, com no mínimo 48 horas de antecedência. As ferramentas gratuitas e mais populares para lives, atualmente, são:
    • Instagram:  é o mais fácil e acessível, mas seu tempo é limitado, com duração de 40 minutos, e só é possível exibir uma pessoa por vez. Além disso, é necessário, após o encerramento, baixar o vídeo no aplicativo IGTV para que a live fique disponível por mais de 24h. Para saber mais, leia este tutorial ou aproveite esta busca no Google.
    • Youtube: é possível fazer uma conversa com mais de uma pessoa e transmitir diretamente no canal (conta) da organização no Youtube. Para a geração da transmissão é necessário utilizar um aplicativo de reuniões online – recomendamos o Jitsi Meet, por ser gratuito e fácil de operar. Para saber mais, leia este tutorial ou aproveite esta busca no Google.
    • Facebook: para saber mais, leia este tutorial, este tutorial ou aproveite esta busca no Google
  • Pressão virtual: existem diversas formas de gerar grande quantidade de manifestações pela internet, dentre as quais destacamos:

COLABORE COM ESTE MANUAL E COM A CAMPANHA

  • Escreva para a Coordenação Nacional compartilhando ideias e descrevendo ações que deram bom resultado para serem replicadas por outras organizações participantes da campanha.
  • As contribuições recebidas serão acrescentadas a este Manual e enviadas para as demais organizações participantes da campanha.
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